14/05/2007

Amei!


Receber flores de presente, no trabalho. E, ainda por cima, flores vindas de uma pessoa tão especial... Tem jeito melhor de começar a semana?? Acho pouco provável... Eu AMEI!!! Fiquei parecendo uma menininha que acabou de ganhar aquele brinquedo cobiçado...
Gestos assim tão simples, e tão poucas as pessoas que têm a sensibilidade pra fazer isso...
Eu acho que minha sorte está começando a mudar...

13/05/2007

O fio da meada


Eu quis falar pras minhas amigas, mas depois pensei um pouco e fiquei com medo de estar sendo precipitada. Não disse nada. [Nossa, que coisa! O que será que acontece que eu estou "pensando" antes de fazer algo?? Isso não é normal em mim! rs]
O fato é que estou sentindo que posso ter chegado a um ponto de mudança. Isso tem a ver inclusive com aquele sentimento diferente que rolou no 10/05 - aquele que eu cheguei até a escrever aqui no blog que estava estranhando, tamanha paz e leveza de espírito.
Existe um amor profundo, puro e eterno, que é indiscutível. Mas sinto que posso ter chegado num ponto onde esse amor vai deixar espaço pra coisas novas acontecerem. Sem que isso necessariamente desgaste esse sentimento tão enraizado em mim. Ensaiei dizer para as meninas, mas não disse por duas razões. A primeira eu já citei: porque ponderei sobre a minha eventual precipitação. A segunda é que eu sinceramente não conseguiria fazê-las entender (porque não consigo explicar bem o que tô sentindo). É como se "algo" estivesse me avisando de que as coisas estão mudando. Não estão ficando nem melhores, nem piores. Apenas diferentes.
Eu sempre falo com o Fabiano que o "problema" dele é que ele "pensa muito". Eu, ao contrário, não sofro desse mal. O meu mal (além de não pensar quase nada, que também é ruim) é que eu "sinto muito". Mas o pior é não conseguir verbalizar tudo isso que eu sinto, pra que as pessoas me ouçam, às vezes me compreendam e eventualmente me aconselhem.
Aí acontece de eu vir dirigindo sozinha de Limeira pra Sanca, numa manhã lindíssima de domingo, ensolarada, pensando em tudo isso. E, de repente, ouço:


E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero
(...)
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei

Está tudo bem, tudo bem...
Giz
(Renato Russo)


Daí eu pensei: "Putz!" rsrs
Incrível. As músicas sempre vêm me ajudar a concluir meus pensamentos confusos.

11/05/2007

mudando de assunto...

Desaposentar
(Domingos Pellegrini)

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte. Não resisti a puxar conversa:
- O senhor é da prefeitura?
- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
- Ah... O senhor quem plantou essa muda?
- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.
- Então o senhor gosta de plantas.
- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
- Obrigado pela parte que me cabe...
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
- O senhor é aposentado?
- Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria.Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
- É bom pra terra... Tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando... Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh... A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça... Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei... Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
- Eu também não sabia, filho. Ihh... Aprendi tanta coisa cuidando dessa praça!Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? Falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.
- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber... E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!

Publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05, Fortaleza-CE

I wanna give you some love


Nossa, pensei tanta coisa pra escrever - sobre o desfecho do 10/05, mas não vai adiantar. Nada que eu escreva vai passar por perto do sentimento. Sentimento, aliás, muito complexo, com várias facetas. Então vai a letra da música. Pra não esquecer nunca aquela coisa "quentinha" que eu sinto por dentro, que às vezes faz "cosquinha", mas às vezes dói agudo (e isso é grave!)

TURN YOUR LIGHTS DOWN LOW
[Bob Marley]

Turn your lights down low
And pull your window curtain
Let the moon come shining in
Into our life again
Saying ooh, it's been a long, long time
I got this message for you girl
But it seems I was never on time
Did I wanna get through to you girl?
On time, on time
I want to give you some love
I want to give you some good, good loving

Turn your lights down low
Never ever try to resist, oh no
Let your love come shining in
Into our lives again
And I love you
And I want you to know right now
I love you
And I want you to know right now
That I wanna give you some love
I wanna give you some good, good loving

Loving you is a like a song I replay
Every three minutes and thirty seconds of every day
And every chorus was written for us to recite
Every beautiful melody of devotion every night
It's potion like this ocean that might carry me
In a wave of emotion to ask you to marry me
And every word, every second, and every third
Expresses the happiness more clearly than ever heard
And when I play them, every chord is a poem
Telling the Lord how grateful I am cause I know him
The harmonies possess a sensation similar to your caress
If you asking then I'm telling you it's yes
Stand in love, take my hand in love, God bless

I want to give you some good, good loving
I want to give you some love
I want to give you some good, good loving

10/05/2007

Continua linda


É preciso comentar.
Eu não me canso de admirar Brasília.
Não sei explicar o que acontece.
Logo eu que não gosto de cidade grande, mas eu me sinto tão bem naquela terra... Eu tenho que dar o braço a torcer: Brasília me encanta.
Acho que é algo kármico, não sei dizer com precisão. Desde a primeira vez em que estive lá já me deu uma sensação boa. Pensei que fosse admiração passageira, dessas que a gente sente quando pisa pela primeira vez numa cidade bonita. Achei que com o tempo eu ia perder aquele deslumbramento da primeira vez, que isso era "coisa de turista"...
Mas não é, gente, não é...
A cada olhar, um novo encantamento.
Brasília à noite é uma coisa de louco, dá vontade de sentar no meio-fio e chorar, como diria o Nelson Rodrigues. Se bem que lá seria difícil chorar sentada no meio-fio, mas tudo bem, vale a intenção.
Eu quero trazer pra São Carlos a civilização de Brasília no trânsito. Lá o pedestre pisa na rua e os carros todos param para que seja possível a travessia. Aqui, infelizmente, se você fizer isso, leva uma buzinada, é atropelado e o motorista ainda xinga tua progenitora! Só a placa na entrada, já dá uma pista: "Senhores visitantes, em Brasília evitamos buzinar". Gente, é muita civilização... Parece outro país, às vezes. E isso é uma pena.
Tá bom, já parei. Eu sei que é chato isso de ficar nesse dengo todo com a capital.
Mas eu precisava comentar.

10 de maio diferente

10 de maio é dia problemático
Ainda mais com eventos culturais da magnitude do de hoje.
Mas a cada dia que passa nessa minha maravilhosa vida, eu entendo que Deus é Pai e que Ele sempre esteve comigo e que Ele nunca me deu um frio que fosse maior que meu cobertor.
Eu tenho aprendido muito com o passar dos anos... E uma das coisas que aprendi faz tempo - e que a toda hora vejo confirmada - é que nada acontece por acaso.
Eu hoje cheguei pra trabalhar me sentindo EXTREMAMENTE bem. Fazia um tempão que eu não tinha uma sensação de paz de espírito tão grande.
De repente me senti como naquela canção "Telegrama" do Zeca Baleiro
"(...)hoje eu acordei com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado
de bater na porta do vizinho e desejar bom dia
de beijar o português da padaria(...)"

A minha paz é tão grande que até a Bruna - menina admirável, de sensibilidade ímpar, que a cada dia respeito mais - me perguntou: "O que aconteceu que você hoje está tão bem-humorada logo de manhã?" Coitadinha, ela deve sofrer um bocado com meu mau-humor do cão - que é o normal das minhas manhãs.
Pois é... E quem diria que esse bom-humor viria logo no 10 de maio? É ou não é um fato pra me ensinar alguma coisa?
É tão boa a sensação de se sentir leve...
Já me disseram que eu passo a imagem de ser alguém muito forte.
Eu sempre me achei muito frágil.
Mas acho que estou aprendendo a lidar melhor com as coisas e sinto que a cada dia tenho mais condições de tomar as rédeas da minha vida, sempre aproveitando as boas oportunidades que me surgem pelo caminho. E como são boas essas oportunidades...
Sinceramente eu não sei o que vai acontecer até o final desse 10 de maio, mas até agora ele está perfeito.

Dois presentes de Deus!



Recebi essa semana notícias de que nasceram os bebês de duas amigas queridas.
Fernando, o filhinho da Maria - amiga-irmã, referência de minha infância e adolescência, aquela que me fez compreender pela primeira vez o sentido da real amizade - nasceu atrasado: estava gostando de ficar aproveitando aquele confortável bercinho que foi a barriga da mãe dele. Nasceu grande, forte, fofíssimo.
Isabella, filha da minha amiga Isabel, que antes de ter sido minha grande amiga da fase dificílima pré-vestibular, também já tinha sido grande amiga de minha irmã Roberta, ou seja, uma amiga de gerações!
Na semana do dia das Mães, gostaria de expressar minha sincera felicidade por ver minhas duas amigas receberem esses presentes maravilhosos de Deus...
Enquanto não chega minha hora de também ser mamãe, me realizo vendo minhas amigas Mães e vou aprendendo muito com elas.
Que sejam sempre fortes e que a maternidade seja pra elas a felicidade plena que eu sei que elas merecem.
E aos bebês, sejam bem-vindos!

28/04/2007

Arvrinhas, arvrinhas! :)


Ultimamente eu tenho pensado bastante na forma como muitas pessoas em São Carlos encaram certas coisas.
Por exemplo, o são-carlense e as árvores.
Ainda antes de eu vir trabalhar na Administração isso já me chamava a atenção. Houve uma vez, naquela época, em que um cara que eu conheço ia montar um negócio no centro da cidade. Alugou um imóvel muito bem localizado e iria fazer uma reforma para adequá-lo às suas necessidades. Qual a primeira providência a tomar?? Cortar duas árvores (lindas) que ficavam defronte ao prédio, porque segundo ele essas duas árvores "matavam toda a fachada do negócio". E mais, acrescentou em sua fala, sem o menor pudor, que se a prefeitura desejasse, ele plantaria mais duas árvores pra cada uma que ele queria cortar, desde que fossem "na frente do prédio do concorrente", logicamente. Cortou as dele, mas não plantou nenhuma, nem na frente do concorrente. Aliás, acho que até hoje não plantou nem um pé de maria-sem-vergonha. Sem comentários, né?
Outra: logo que comecei aqui, por estar então "na prefeitura", uma parente minha me ligou pedindo orientação sobre quem ela devia procurar pra cortar uma árvore na frente da casa da vizinha - a vizinha havia se mudado, a árvore ficou, e a minha parente queria se livrar da árvore. Motivo alegado: "Ah, essa árvore faz muita sujeira na frente da minha casa! Se a vizinha foi embora, eu é que não vou ficar limpando a calçada!!". Sem comentários de novo!
Agora, mais recentemente, outro exemplo. Há cerca de duas ou três semanas, um senhorzinho já até de uma certa idade, sobrenome tradicional na cidade, conhecido das autoridades da PMSC, começa a ligar aqui, insitentemente, porque o filho dele comprou uma casa no centro da cidade e ele vai reformá-la. Ligou aqui, em nome da amizade dos velhos tempos com algumas autoridades, pra pedir pra "agilizar o processo de corte de árvore" que ele deu entrada por vias normais, na prefeitura. Motivo alegado: "as duas árvores estão cheias de brocas (doentes) e não têm mais muito tempo de vida". Só que eu fui atrás do processo, conversei com a pessoa responsável pelo manejo das árvores e - surpresa! - as árvores estão vendendo saúde. O que nos leva a deduzir que o real motivo da solicitação deve ser parecido com os dois casos anteriores que eu citei aqui.
Eu fico tão chocada com essas coisas!
Eu, como são-carlense, quando comecei a conhecer outras cidades e a compará-las com a minha (que eu amo de paixão), sempre senti falta de mais ruas arborizadas por aqui. Como eu acho agradável as praças cheias de árvores! Como é delicioso passar - de carro ou a pé - pela Rua Larga, com aqueles Flamboyants gigantes fazendo uma sombra maravilhosa - sem contar no espetáculo visual quando eles estão floridos. Como é ótima a sensação de percorrer aqueles 100 metros do quarteirão da Rua Geminiano Costa que fica entre a R. Dona Alexandrina e a Av. São Carlos...
Por isso eu fico "me achando" com as iniciativas da nossa adinistração. Entre outros programas, começou com o Projeto Plantando o Futuro, que plantou centenas de mudas de araucárias (nossa árvore-símbolo), especialmente junto às nascentes. Depois veio a lei municipal que tornou imunes ao corte algumas árvores centenárias - antes que alguém tivesse a "brilhante idéia" de colocá-las no chão, a arborização da Av. Bruno Ruggiero (tô louca pra ver quando aqueles ipês todos começarem a florir, vai ficar espetacular!) e mais recentemente o Projeto Rua Viva, que está espalhando árvores pelas calçadas das ruas - principalmente as centrais, que mais parecem desertos, sem uma arvorezinha sequer. Mas diante de atitudes como a do senhor que citei logo acima, que é um homem bem esclarecido, mas se comporta como um primata, eu ainda fico decepcionada com os meus conterrâneos.
Eu quase morri de inveja, na semana retrasada, vendo o programa Via Brasil, da Globonews. Uma professora aposentada em uma cidade de outro estado - lógico que não vou lembrar agora nem o nome da mulher e nem o da cidade - arboriza as ruas da cidade onde ela mora. Sai às ruas, conversa com os moradores, consulta até a cor da árvore que o dono de cada casa prefere que seja plantada em sua calçada e transforma a cidade na coisa mais linda. Quase morri de inveja. Era isso que eu queria que acontecesse aqui: mudança de atitude. Mudança de consciência.
Gente, vamos salvar nossas árvores! Vamos deixar nossa cidade mais gostosa de se viver!